VIDA SELVAGEM
A Vida Selvagem de Milford Sound
Lobos-marinhos, os golfinhos-roazes mais a sul do mundo, raros pinguins de Fiordland, keas e o coral negro que cresce estranhamente perto da superfície.
Check dates and availability ↗O que é provável que veja, e o que não é.
Milford é território selvagem, e a sua vida selvagem comporta-se em conformidade: recompensa, mas nunca a horas marcadas. Defina expectativas com honestidade e não ficará desapontado. Os lobos-marinhos da Nova Zelândia são quase garantidos; os golfinhos-roazes são frequentes, mas não diários; os pinguins de Fiordland são sazonais e tímidos; as baleias são uma raridade genuína. Acima da água, os kea roubam o espetáculo no Túnel de Homer e a floresta vibra com pequenas aves nativas. O melhor conselho de todos é observar constantemente a água e as rochas, em vez de esperar que lhe digam o que ver, e tratar cada avistamento como um bónus, não como uma promessa. Nada aqui é alimentado ou encenado, e é exatamente por isso que cada momento conta quando acontece. Um par de binóculos justifica o espaço que ocupa na sua mochila.
Focas-neozelandesas: as mais fiáveis
Os lobos-marinhos da Nova Zelândia — kekeno — são o avistamento mais fiável. Uma colónia permanece durante todo o ano nas rochas junto a Seal Point, no lado sul do fiorde, e os cruzeiros abrandam para que os possa ver a espreguiçar-se, a coçar-se e, por vezes, a deslizar para a água. Caçados quase até à extinção pela sua pele no século XIX, recuperaram de forma notável e são hoje uma história de sucesso da conservação que pode observar a partir do barco. Em terra parecem desajeitados, mas debaixo de água transformam-se em algo de uma elegância quase coreográfica. Respeite a distância que o capitão mantém — são animais selvagens com uma mordida afiada e nenhum interesse em companhia — e aproveite o facto de este ser, pelo menos, um avistamento em Milford em que pode confiar, aconteça o que acontecer com o tempo.
Golfinhos-roazes no limite da sua área de distribuição
Os golfinhos-roazes de Milford são especiais para além da emoção de os avistar: esta é a população residente mais a sul da espécie em todo o mundo, a viver no limite frio do que os roazes conseguem tolerar. Um grupo de algumas dezenas percorre a costa de Fiordland, movendo-se entre os fiordes, pelo que estão em Milford com frequência, mas nem sempre. Quando lá estão, é habitual virem surfar na onda de proa dos barcos de cruzeiro, o que é o melhor que se pode pedir em observação de vida selvagem. Por ser uma população pequena e muito estudada, os operadores seguem regras rigorosas quanto à aproximação e à velocidade à sua volta — se o barco recua perante os golfinhos, isso é o protocolo a funcionar, não azar. Os golfinhos-de-risso aparecem também ao longo da costa, mas são os roazes residentes que têm a história para contar.
Os pinguins de Fiordland e os seus ninhos na floresta
Duas espécies de pinguins habitam o fiorde, e ambas exigem paciência. Os pinguins-de-Fiordland — tawaki — estão entre os mais raros do mundo, reproduzindo-se na floresta costeira de aproximadamente julho a novembro; na época, poderá avistar um a saltitar pela água ou pousado numa rocha baixa, mas são tímidos e facilmente passam despercebidos. Os pinguins-azuis, os mais pequenos do mundo, também estão presentes. Os tawaki são o grande prémio: um dos poucos pinguins que nidifica em floresta temperada, em vez de terreno aberto, escondidos sob as árvores que descem até à água. Os avistamentos dependem muito da sorte e do momento certo, e um bom guia de natureza vale a pena se os pinguins forem a sua prioridade — eles conhecem a estação, a luz e os troços de costa que merecem ser observados.
O mundo subaquático que não se vê a partir do convés
A vida selvagem mais surpreendente de Milford está na parte submersa. A camada escura de água doce do fiorde engana as espécies de águas profundas, levando-as a viver perto da superfície — o chamado "afloramento de águas profundas" — e assim o coral negro, normalmente uma criatura das grandes profundezas, forma colónias a poucos metros da superfície. Apesar do nome, o coral negro vivo é branco, uma delicada árvore de ramos finos; o negro é apenas o esqueleto por baixo. À sua volta vivem estrelas-do-mar, anémonas, esponjas e peixes adaptados à pouca luz. Um observatório subaquático ancorado no fiorde permite-lhe descer até uma câmara de observação e contemplar este mundo através de vidro, sem se molhar — a forma mais simples de perceber que o drama de Milford não termina na linha de água. Apenas se torna mais estranho abaixo dela.
Kea, e as aves da floresta
O palhaço de Milford é o kea, o único papagaio alpino do mundo — verde-oliva com um lampejo de laranja sob as asas, ferozmente inteligente e famoso à volta do Túnel Homer, onde atacam os carros em fila, arrancando os frisos de borracha e abrindo malas deixadas sem vigilância. São uma espécie ameaçada e protegida, e alimentá-los, por muito que implorem, causa-lhes danos reais; mantenha o carro fechado e a sua refeição guardada. Na floresta, escute o sino-da-nova-zelândia e o tui, o dócil robim da Ilha do Sul que se aproxima dos caminhantes, o rabo-de-leque que esvoaça à caça de insetos, e o grande e exuberante kaka nas faias. Por cima, poderá avistar um falcão-neozelandês. É tanto uma paisagem sonora como visual — a floresta de Fiordland é um dos lugares com mais aves que restam no país.